FELIZ NOVO MUNDO

PARA UM MOMENTO COMO ESTE CHEGASTE A ESTA POSIÇÃO…Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará, pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a  família de seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que chegaste à posição de rainha?/ Ester 4.12-14

Ao concluirmos nossa última campanha de oração do ano de 2019 (como fazemos todos os anos), na qual pedíamos ao Senhor que nos guiasse no próximo ano, protegendo, dando livramentos e sabedoria para permanecermos arraigados no Evangelho e testemunhando sobre Cristo, não imaginávamos nem de longe que 2020 seria um marco na história da humanidade.

Passaram-se aproximadamente 18 meses desde então e hoje podemos ver que o mundo provavelmente não será mais como conhecíamos. Ocorreram muitas mudanças na dinâmica da igreja local.Nossa comunidade era construída sob o paradigma de reuniões presenciais com eventos evangelísticos, de edificação bíblica e socialização, mas precisou alterar radicalmente os métodos de abordagem.

Eventos foram cancelados, as reuniões presenciais restringidas, a música silenciada, os relacionamentos distanciados, a adoração comunitária reduzida à individualidade ou virtualidade. Nas poucas reuniões presenciais, há somente o essencial: a oração e uma breve meditação bíblica.

Virtualização do mundo real

Não somente na formatação, mas também sofremos um impacto significativo no novo conceito de igreja que tem sido construído neste momento e como os membros de nossa comunidade passaram a interagir nesta nova realidade. Muitos cultuam somente em casa, no conforto do sofá, no período de tempo que dura uma transmissão. O templo tem sido uma plataforma de vídeos onde os conteúdos e os pregadores podem ser selecionados a critério pessoal. Hoje a informação trafega a uma velocidade jamais vista, mas a propagação das Boas Novas perdeu ritmo de maneira abrupta. Acredito que não seja apenas um fenômeno local, mas sim de nível global.

Apesar de todos os esforços para combater a pandemia e a insistência conservadora em conduzir a sociedade de volta ao estilo de vida pré-Corona, os governos apresentam sinais de que o “novo normal” veio para ficar.

Distanciamento Social

Como foi proclamado pelo Ministro da Recuperação Econômica do Japão, Yasutoshi Nishimura: “…provavelmente não conseguiremos eliminar o novo coronavírus, por isso precisamos aprender a conviver com ele”. A questão é que este novo estilo de vida significa o fim dos paradigmas sociais (modelos de comportamento que regem a sociedade) vigentes até o presente momento. Enquanto a maioria das pessoas está preocupada em sobreviver ao caos das incertezas sanitárias, econômicas e sociais, uma nova realidade está se configurando diante de nossos olhos.

A solicitação do governo japonês é para evitar a combinação de três pontos específicos: lugares fechados, aglomeração de pessoas e proximidade física. Estes três fatores combinados se resumem em uma ação única: o distanciamento social. Períodos de certa normalidade são intercalados com estados de emergência e fechamento de cidades (a depender do país). Contudo, a tônica da distância interpessoal permanece em todo o tempo.

O Novo Normal

O distanciamento social não é algo inofensivo. Pessoas precisam de pessoas. A comunicação vai muito além das simples palavras. É uma combinação de infinitos códigos que são decifrados e saboreados na presença uns dos outros. É uma mistura de sinais, de reações, de odores, de movimentos, de expressões, de sons, entre outros elementos que enriquecem todo o pano de fundo dos relacionamentos. Se a presença física não fosse importante Jesus não teria vindo ao mundo. Os discípulos não iriam querer ver a Deus. Além disso, nada substitui a presença tocante do Espírito Santo. Neste contexto Jesus mesmo disse: quem vê a mim vê o Pai! Ver, tocar, se relacionar com Ele.

Solidão e isolamento geram estresse e distúrbios mentais. Nós precisamos de Deus, mas também precisamos das pessoas. Jesus explicou esta verdade por meio da figura da árvore. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Todos ligados perfeitamente. Paulo disse que o amor é o vínculo da perfeição. O objetivo é a conexão das pessoas umas com as outras em Deus e tendo como base o amor altruísta. Não existe manifestação do amor fora do contexto dos relacionamentos.

Solidão e isolamento geram estresse.

Os relacionamentos interpessoais são o fundamento para construção de todas as culturas. A fé, o amor fraterno, a química da paixão que une duas pessoas, a família, as artes, a comunicação, o lazer, a educação, o tecido social, a política, a economia, o senso patriótico, até a tecnologia. Nada disso se desenvolve ou tem sentido sem os relacionamentos interpessoais presenciais. A única alternativa segura no momento é a transposição do campo presencial para o campo virtual (o qual é preocupantemente controlável e passível de quebra de privacidade). Por maior que sejam os esforços no sentido de nos adaptarmos, as relações sociais não conseguem se desenvolver plenamente somente em ambientes virtuais. Contudo, parece que essa revolução veio para ficar.

Organização Mundial da Saúde diz: talvez COVID 19 nunca nos deixe.

Em março deste ano (2021), houve um contagio em grupo durante um culto de jovens na cidade de Toyota, província de Aichi, onde residimos. Ate o governador da província (Sr.Omura) se manifestou em seu pronunciamento público contra as reuniões religiosas. Chegou até a sugerir o fechamento da igreja em questão, mas foi contido pela inconstitucionalidade da medida. Contudo, fica a questão: até quando a liberdade de associação prevalecerá sobre as novas regras de segurança sanitária? Uma realidade preocupante de quebra das liberdades fundamentais nas sociedades democráticas está se configurando diante dos nossos olhos nesta geração.

Não somente o distanciamento social, mas simultaneamente a crise sanitária (que é a mais visível fonte de mudanças) está acontecendo uma revolução social multidirecional. O fim da moeda física, a Internet das coisas por meio das novas redes 5G, a Quarta Revolução Industrial com o advento da propagação da inteligência artificial em todos os campos, o implante neural, o desemprego generalizado, a dependência de uma renda básica universal e a ascensão da China como a maior potência mundial fundamentada no conceito de Tecnocracia Totalitarista (crédito social, vigilância sanitária, passaporte de saúde, rastreamento perfeito, domínio da tecnologia mundial, fim da privacidade).

Este é o cenário que se instalou no mundo em 18 meses apenas! Este é o cenário da nossa missão! Adaptar-nos-emos incondicionalmente a estas mudanças ou ofereceremos resistência? Quais inovações nós adotaremos e quais ações nós conservaremos? Quais as consequências destes posicionamentos em longo prazo na dinâmica espiritual da Igreja? Estar na posição de liderança da Igreja neste tempo é desafiador e pessoalmente sinto um perigo e um temor imenso por conta da gigantesca responsabilidade. Meu objetivo não é apresentar soluções simplistas, mas sim agitar os pensamentos e despertar reflexões que possam equipar a Igreja com as estratégias específicas para cada contexto, por meio dos líderes que Deus mesmo levantou para pastorear o Seu rebanho em tão espantoso tempo.

Os apóstolos tiveram seus desafios, os pais da igreja, os reformadores e os avivalistas também tiveram. O cenário acima é nosso desafio! Foi para um tempo como este que Deus nos chamou. Que o Senhor nos conceda fé, sabedoria, misericórdia, graça e unção para percorrermos os caminhos sinuosos desta jornada, colocando em prática acima de tudo a Sua Vontade.

Que o Senhor nos abençoe!

Pr.Kendji Yasumura