O Casamento Segundo o Modelo de Deus

O CASAMENTO SEGUNDO O MODELO DE DEUS

Casamento no Modelo de Deus

Estudo ministrado na Classe de Líderes em 31 de maio de 2014

Introdução

  • Antes de estudarmos sobre os parâmetros bíblicos para a família é preciso esclarecer a compreensão da situação das uniões estáveis existentes no universo da Igreja.
  • Existem pessoas que passaram pelo divórcio, pelo adultério, tiveram vida sexual fora do casamento e talvez ainda sofram as consequências disso.
  • O objetivo deste estudo não é condenar ou expor ao constrangimento a nenhum dos amados irmãos, mas sim levar a compreensão bíblica sobre um assunto que de tão dolorido e complexo normalmalmente é evitado.
  • O objetivo deste estudo é compreendermos os parâmetros de Deus para a família, corrigirmos possíveis falhas, evitarmos erros e nos arrependermos de pecados cometidos para sermos perdoados e restaurados. Pelo conhecimento da verdade nós somos libertos (Jo 8.32).
  • Existem consequências irreversíveis. A maioria dos erros cometidos no campo relacional não possuem retorno. Somente existe o caminho da identificação do pecado cometido, do arrependimento, do perdão divino e da restauração.
  • Nem sempre a restauração é completa. Famílias que são destruídas ou consequências de relacionamentos fora dos parâmetros bíblicos podem perdurar por toda vida. Tentar nos livrar destas consequências pode nos levar a outros pecados.
  • É mais fácil a destruição que a reconstrução. O caminho da restauração segundo a vontade de Deus, dentro de seus parâmetros e guiados pelo Espírito Santo não é fácil, é estreito, mas é o melhor caminho (Mt 7.13-14).

Perfis ligados à questão

  • Para aquele que foi convertido mas o cônjuge ainda não, se o não convertido desejar permanecer casado, não deverão se divorciar, e assim toda a família será abençoada pelo cônjuge convertido (I Co 7.12-14).
  • Para aquele que se divorciou antes de aceitar a Cristo, Deus não nos julgará pelo tempo da ignorância (At 17.30). Se estiver casado pela segunda vez, permaneça na condição que Deus os chamou (I Co 7.17). Não poderão retornar ao primeiro cônjuge (Dt 24.3-4). Contudo, se estiverem separados, sem estar casados, poderão se reconciliar (I Co 7.11).
  • Para aquele que sendo cristão e se divorciou após um casamento consciente e consagrado diante de Deus, ou que cometeu fornicação, adultério, arrependa-se, peça perdão e busque a misericórdia de Deus enquanto você pode achar (Is 55.6-7).
  • Para aquele que coabita, mas não é casado, esta não é considerada uma união legal e estável diante da Bíblia. Todo relacionamento íntimo fora da instituição do casamento é fornicação (I Co 7.2 / Mt 19.6 / Hb 13.4 / Jd 1.7).
  • É necessário que cada um entenda sua condição e se arrependa (At 2.38 / At 17.30). Lembremo-nos: arrependimento implica em mudança de conduta. Se incorrermos repetidas vezes no mesmo erro, estaremos resistindo ao Espírito Santo, o que é considerado blasfêmia (Hb 3.7-12; At 7.51; Mt 12.31).
  • Mas se abandonarmos os nossos pecados Ele é misericordioso para nos perdoar (Lc 3.8), pois não tem prazer na morte do pecador (Ez 33.11).

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A Instituição do Casamento

Os limites da aliança conjugal (Ml 2.10-16)

  • Primeiro, o casamento é uma união heterossexual (2.14). É a união entre um homem e uma mulher. Este é o princípio da criação, conforme Gênesis 2.24: “Por isso, deixa o homem seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Atualmente a legislação civil tem reconhecido outros tipos de união, mas diante de Deus é abominação (Rm 1.25-27; Lv 20.13).
  • O segundo limite destacado por Malaquias é que o casamento é uma união monogâmica (2.14). O casamento é a união entre um homem e uma mulher. A monogamia foi instituída na criação, sancionada na lei, reafirmada por Jesus (Gn 2.24; Mt 19.4-5; I Co 7.2). O padrão monogâmico para os bispos não significa que sua vida deve ser mais restrita, mas que este deve ser um modelo (I Tm 4.12) do que Deus deseja (I Tm 3.2).
  • O terceiro limite destacado por Malaquias é que o casamento é uma união monossomática (uma só carne) (2.14). A vida íntima no casamento é ordem, é bom, é santo, é puro, é deleitoso. A união conjugal é a mais próxima relação de todo relacionamento humano. A união entre marido e mulher é mais estreita do que a relação entre pais e filhos. Os filhos de um homem são parte dele mesmo, mas sua esposa é ele mesmo. O relacionamento íntimo deve existir sob concordância, em afetuosidade, compreensão das limitações do cônjuge, mas também não deve ser rejeitado ou negado (I Co 7.4-5).
  • O quarto limite digno de destaque é que o casamento é uma união indissolúvel (2.14). O casamento deve ser para toda a vida. No projeto de Deus, o casamento é indissolúvel. Ninguém tem autoridade para separar o que Deus, uniu. Marido e mulher devem estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade. Só a morte pode separá-los (Rm 7.2; I Co 7.39).Divórcio e novo casamento (na maioria dos casos) consiste em adultério (Mc 10.11-12). O divórcio pode ser aceitável, mas não na maioria dos casos não há permissão bíblica para um novo casamento (I Co 7.10-11).
  • O quinto limite implicito no texto é que Deus, como autor da instituição matrimonial, estabelece os padrões do casamento para todas as pessoas; crentes ou incrédulos (2.16). Todos aqueles que se casam usufruem de uma instituição estabelecida por Deus, portanto estão todos sujeitos aos parâmetros estabelecidos por Ele. O texto não diz que o Senhor detesta o divórcio dos crentes, mas de modo geral. Desta forma Deus é a testemunha de toda cerimônia de casamento, e também será a testemunha de toda violação desses votos.
  • O sexto limite destacado por Malaquias apresenta que o casamento não deve ser uma união mista (2.11). A Bíblia não aprova o casamento de crentes com incrédulos. Não existem restrições étnicas (união de diferentes raças) ou restrições sociais (ricos e pobres). Mas a união com pessoas incrédulas comprometem a continuidade da fé (Ml 2.10-11; Ne 13.23-25). O casamento com pessoas não crentes era uma espécie de infidelidade conjugal com o Deus da aliança. Era uma traição e uma quebra da aliança digna de punição (Êx 34.11-16; Nm 25.1-4).Hoje, quando uma pessoa crente se casa com alguém não nascido de novo, está quebrando esse preceito bíblico (I Co 7.39 / II Co 6.14-17), conspirando contra a criação dos filhos no temor do Senhor (2.15).O casamento misto é um alvo certo do juízo de Deus (Ml 2.11-12).A desobediência traz juízo. Deus não premia a desobediência. As conseqüências podem ser amargas para aqueles que entram na contramão da vontade de Deus. Vale também o bom senso. O futuro cônjuge deve ser alguém que lhe corresponda (Gn 2.18). Uma pessoa que se encaixe com o plano que o Senhor tem para ambos. Mesmo entre cristãos a união deve ser orientada por Deus e refletir uma escolha sensata.
  • O setimo limite destacado por Malaquias apresenta que o casamento é uma união sob aliança (Ml 2.14). A Bíblia não reconhece o companheirato (viver juntos) como união legal diante de Deus. A legislação civil pode reconhecer este tipo de relacionamento, mas não as Escrituras. Pela Palavra de Deus este é um estado de fornicação. Fornicação é a vida sexual fora do matrimônio, um costume do mundo grego. E esta prática é condenável (Gn 2.24; Mc 10.6-8; Hb 13.4; I Co 6.16; I Co 7.2).

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Propósitos de Deus para o casamento

  • Deixar os pais e compor uma nova unidade familiar: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” (Gn 2.24-25).
  • Quando Deus criou o casamento, Ele o fez para que homem e mulher pudessem completar um ao outro em suas necessidades espirituais, emocionais, intelectuais, físicas e sociais.
  • Para que o casamento cumpra o propósito é necessário, porém, que esteja alicerçado em Cristo, em conformidade com a Palavra de Deus.
  • Quando casamos trazemos toda a carga familiar que adquirimos em toda a nossa criação. Devemos conservar essa herança familiar se ela for boa e deixarmos para trás aquilo que pode prejudicar o relacionamento conjugal. Portanto, para a realização plena desta aliança é necessário amadurecimento e emancipação para livre composição desta nova unidade (Gn 2.24). O termo deixar implica em aprender a tomar as decisões em casal, sem nos deixar influenciar pelas posturas de nossos pais e familiares.
  • Deixar a dependência econômica e emocional: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” (Gn 2.24). O casal, após firmar aliança, deve evitar a dependência emocional e econômica dos pais, tendo em mente que construir uma família significa viver um para o outro, cuidando um do outro (emocionalmente e financeiramente). A provisão para o lar deve vir do trabalho dos dois e não mais dos pais, como antes.
  • Deixar os hábitos e heranças espirituais da família: “…não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais…” (I Pe 1.18). Deixar para trás os hábitos e heranças espirituais que você adquiriu em sua família e que não contribuirão de forma benéfica para o seu relacionamento conjugal e para sua vida cristã. Construa seu casamento firmado na Palavra de Deus, em Cristo. Lembre-se; Abraão também foi chamado a sair da casa de seus parentes para construir uma nova vida com sua família no propósito de Deus (Gn 12.1).
  • Deixar problemas de relacionamento familiar: “…tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem; e ninguém seja devasso, ou profano como Esaú, que por uma simples refeição vendeu o seu direito de primogenitura.” (Hb 12.15-16). Muitas pessoas foram vítimas de agressões físicas, emocionais e hoje carregam amargura na alma, lembranças dolorosas que podem afetar os sentimentos em relação aos pais e conseqüentemente em relação ao cônjuge. A amargura prejudica o lar e impede que as bênçãos cheguem até o casal. Portanto, não devemos alimentar sentimentos negativos e buscar a cura de Deus. A cura é o único meio pelo qual todo o peso do passado é removido. Precisamos arrancar todas as raízes de amargura que foram construídas no passado, porque toda raiz de amargura produz frutos amargos, mas nós fomos chamados para viver uma vida plena com Cristo.

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  • Que o marido exerça a liderança bíblica no lar: “Maridos, amai vossa mulher, como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Toda família necessita de um dirigente. Por isso, Deus atribui ao marido a responsabilidade de ser cabeça da esposa e da família. Sua chefia deve ser exercida com amor, mansidão, consideração pela esposa e família. A responsabilidade do marido, que Deus lhe deu, de ser “cabeça da mulher” inclui: Provisão para as necessidades, espirituais, financeiras e emocionais da família. Gn 3.16,19; I Tm 5.8. O amor, a proteção, a segurança e o interesse pelo bem estar dela, da maneira que Cristo ama a Igreja. Ef 5.25-33. Honra, compreensão, apreço e consideração pela esposa. Cl 3.19; I Pe 3.7. Lealdade e fidelidade totais na vivência conjugal; Mt 5.27,28; Ef.5.31.
  • Que a esposa seja uma auxiliadora adequada: “A mulher sabia e piedosa faz do seu lar um lugar de refúgio, de paz e de alegria. Ao passo que a mulher imprudente se descuida da sua casa e família” (Pv. 14.1). A esposa tem a tarefa, dada por Deus, de ajudar ao marido e submeter-se a ele “no Senhor”. Seu dever para com o marido inclui: O amor (Tt 2.4), o respeito (Ef 5.31; I Pe 3.1 e 2), a ajuda (Gn 2.18), a pureza (Tt 2.5; I Pe. 3.2), a submissão (Ef 5.22; I Pe 3.5), um espírito manso e quieto (I Pe 3.4), ser uma boa mãe (Tt 2.4), ser uma boa dona de casa (I Tm 2.15; 5.14; Tt 2.5).
  • Companheirismo e complementação mútua do casal: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). O homem vivia em meio aos vários elementos da criação, mas mesmo assim ele se sentia sozinho. Então, Deus fez cair um sono pesado sobre o homem e de sua costela fez a mulher e a chamou de varoa, pois do varão foi tirada. O homem e a mulher se completam, pois assim como a mulher provém do homem, o homem também é nascido da mulher. “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (I Co 11.11).Não existe espaço para o sentimento de auto-suficiência. Dependemos um do outro, pois o Senhor nos fez assim!
  • Prazer amoroso do casal: “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol” (Ec 9.9). Há uma grande necessidade do cumprimento dos deveres conjugais relacionados a vida íntima para manutenção do casamento, pois quando uma das partes negar em cumprir seu dever abre a porta para o pecado do adultério, podendo levar ao divórcio. Pode haver um momento em que ambas as partes decidam absterem-se da intimidade por motivo espiritual, enfermidade ou outro, mas quando o tempo determinado por ambos acabar é necessário que se volte ao cotidiano normal. “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (I Co 7.5).
  • Preservação da pureza e da moral na família e na sociedade: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (I Co 6.18). A preservação moral é uma das responsabilidades de um servo de Deus. Lutar contra os prazeres carnais é algo muito importante. Antes do casamento é necessário que se mantenha o corpo puro, longe dos prazeres carnais, mas mesmo depois do casamento é muito importante que se busque a pureza. Somos espelhos para o mundo, por isso devemos ser cautelosos também dentro do casamento, para que as pessoas não se escandalizem com nossos atos. Além disso, não devemos esquecer de que o propósito prioritário do casamento é glorificar a Deus. “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Co 6.19-20).
  • Formação e propagação do gênero humano através dos filhos: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28). Uma das principais ordenanças acerca do casamento consiste na propagação da espécie humana, ou seja, em ter filhos. A Bíblia relata que no início da história da humanidade esse foi um dos primeiros mandamentos, o qual prevalece até hoje. Portanto, que a união íntima tenha também esse objetivo. Não apenas “satisfazer o desejo”, mas reproduzir e assim dar continuidade à vida da espécie humana e multiplicar os justos sobre a terra (Sl 112.2). “Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais” (Jr 29.6).

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Divórcio e novo casamento

O divórcio é uma quebra da aliança conjugal (2.13-16)

  • A natureza do divórcio (2.16). O profeta destaca três fatos sobre a natureza do divórcio. Primeiro, o divórcio não foi instituído por Deus. Deus regulamentou o divórcio, mas não o instituiu. O divórcio é uma inovação humana.
  • Deus instituiu o casamento e não o divórcio. O casamento é fruto do coração amoroso de Deus, o divórcio é fruto do coração endurecido do homem.
  • A permissão para o divórcio presente na lei mosaica (Dt 24.1-4) era para proteger a esposa de um marido mau e não uma autorização para ele se divorciar dela por qualquer motivo.
  • Na interpretação de Jesus, o divórcio não é uma ordenança e sim uma permissão (Mt 19.3-9).
  • O divórcio não é da vontade de Deus (Ml 2.16). Embora o divórcio seja permitido em caso de infidelidade e abandono, ele não é obrigatório. Melhor que o divórcio é o perdão e a restauração.
  • O divórcio é a quebra de uma aliança feita na presença de Deus (2.14-15). É rejeitar alguém que um dia foi desejado. É descumprir com promessas feitas na presença de Deus.
  • Malaquias diz que o divórcio é a quebra da aliança com a mulher da mocidade (Ml 2.14-15); com a companheira (Ml 2.14) e com a mulher da aliança (Ml 2.14). O divórcio é a apostasia do amor.
  • A causa do divórcio (Ml 2.15-16). A falta de cuidado de si e do cônjuge. O casamento é como uma conta bancária, se sacarmos mais que depositamos, vamos à falência. Se investíssemos mais no casamento, teríamos menos divórcios (endurecimento gradual do coração / Mt 19.3-9). Quem ama o cônjuge, a si mesmo se ama (Ef 5.28).
  • Quais são os cuidados que precisamos ter? Andar em sintonia com Deus e Sua Palavra; Não deixar o casamento cair na rotina; Não guardar mágoa; Não se descuidar da comunicação; Suprir as necessidades emocionais e íntimas do cônjuge; Administrar sabiamente a questão financeira; Outros cuidados, que Deus dará discernimento para ver e sabedoria para cuidar.
  • Antes de divorciar, uma pessoa precisa ter bom senso para pensar nas conseqüências (“Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade” / Ml 2.16): conseqüências espirituais, emocionais e econômicas; conseqüências para os filhos, para a igreja e para a sociedade.

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Conseqüências do divórcio apontadas pelo profeta Malaquias

  • O divórcio não é indolor. O divórcio é a mais destrutiva das crises emocionais; ele é uma dor que corta como faca. Ele é um ato de violência contra o cônjuge e contra os filhos. É como um terremoto; provoca grandes estragos.
  • A primeira conseqüência do divórcio é que ele provoca profunda dor na pessoa abandonada (2.13). Quando as esposas abandonadas iam ao altar e derramavam suas lágrimas, isso tocava o coração de Deus a ponto de Ele não aceitar as orações dos maridos que as abandonavam.
  • A segunda conseqüência do divórcio é que ele traz graves problemas para os filhos (2.15). A poligamia (estar em adultério) e o divórcio, não são compatíveis com a criação de filhos no temor de Deus.
  • A terceira conseqüência do divórcio é que ele provoca uma crise espiritual e uma quebra da comunhão com Deus na vida da pessoa que abandona seu cônjuge (2.13b). Quando Deus não aceita o ofertante, Ele rejeita a oferta. A Bíblia diz que se há iniqüidade no coração, Deus não ouve as orações (Sl 66.18). O apóstolo Pedro diz que se o marido não vive a vida comum do lar, suas orações são interrompidas (I Pe 3.7).

Justificativas comuns para o divórcio

  • “Eu vou me divorciar, porque meu casamento não foi Deus quem fez”
  • “Eu vou me divorciar, porque eu não consultei a Deus para me casar”.
  • “Eu vou me divorciar porque não amo mais o meu cônjuge”.
  • “Eu vou me divorciar porque encontrei uma pessoa mais interessante”
  • Multiplicam-se os motivos que levam às pessoas ao divórcio.
  • É importante ressaltar que Deus comparece a todo casamento como testemunha (pois foi ele quem instituiu o casamento, independente se as pessoas crem Nele ou não).
  • Quando duas pessoas se casam, mesmo que elas não tenham buscado a Deus, o Senhor ratifica a aliança. O quebrar dessa aliança é um perjúrio às promessas firmadas diante de Deus.
  • Josué firmou uma aliança com os gibeonitas sem consultar a Deus. Eles dissimularam e mentiram para Josué. Este, apressadamente firmou com eles um pacto e Deus ratificou esse acordo (Js 9).
  • Trezentos anos depois, o rei Saul violou aquela aliança e um juízo divino veio sobre a nação. Mesmo quando não levamos a aliança que fazemos a sério, Deus leva.

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Motivações para o novo casamento

  • Como muitos pensam, a Bíblia não proíbe o novo casamento. Contudo, estabelece parâmetros para ele aconteça. Neste contexto, quando a Bíblia não proíbe mas também não aceita claramente determinada questão, esta deve ser avaliada com muito cuidado, caso a caso, avaliando-se conceitos bíblicos paralelos ao assunto.

Viuvez (Rm 7.2-3; I Tm 5.3-16)

  • O único caso de permissão plena para o novo casamento é após a morte do cônjuge. O texto deixa claro que o cônjuge fica livre para contrair um novo casamento.
  • Contudo, até mesmo a viuvez deve ser vivida com sobriedade e no temor de Deus. O texto de I Timóteo 5.3-16 trata acerca das características que distinguem as mulheres que são verdadeiramente viúvas.
  • Pessoas que tiverem sido cônjuges de uma só pessoa (5.9); que apresentem um bom testemunho cristão (5.10); que não ficam ociosas (5.13); que não se entregam às conversas inúteis, curiosas da vida dos outros e falando o que não convém (5.13); dando ocasião para serem criticadas pelo seu procedimento (5.14).
  • O texto refere-se às mulheres pela questão do sustento financeiro estabelecido pela lei às verdadeiras viuvas, mas o padrão moral também é aplicavel à homens.

Relações Sexuais Ilícitas (Mt 5.32; Mt 19.3-9; Lv 18.6-25; Lc 16.18; Rm 7.3)

  • Além da viuvez há uma razão que permite o crente se divorciar de seu cônjuge crente. Esta razão é a prostituição (relações sexuais ilícitas). O pecado sexual que inclui entre outros o adultério, homossexualidade, imoralidade, relação com parentes próximos, abusos (I Cor 5.1; Judas 1.7; Lv 18.6-25).
  • Não havendo infidelidade, o divórcio é ilegítimo, pois não põe fim ao vínculo do casamento (Mt 19.9). Mas, o mesmo não se pode dizer quando o motivo são as relações sexuais ilícitas. No caso de simples repúdio por motivo fútil, o divórcio é ilegítimo aos olhos de Deus.
  • No caso do adultério, o perdão é a primeira solução a ser indicada. Mas, por causa da dureza do coração do homem (Mateus 19.8), da sua incapacidade de perdoar, o traído tem permissão para divorciar-se e casar-se de novo.
  • Entretanto, isso não significa que o divórcio deva acontecer automaticamente quando o cônjuge comete adultério. Aqueles que descobrem que seu parceiro foi infiel devem primeiro fazer todo o esforço para perdoar, reconciliar-se e restaurar o relacionamento.
  • O divórcio deve ser empregado apenas em última instância, quando o adúltero não demonstrar arrependimento genuíno repetindo esse ato vil que abala a confiança do cônjuge, machuca-o e desestrutura o vínculo conjugal.
  • Algumas pessoas empregam Romanos 7.1-3 para respaldar uma posição contrária a um novo casamento em qualquer hipótese. Afirmam que o que traiu e o que foi traído estão ligados até a morte.
  • No entanto, o contexto não permite tal entendimento. O objetivo do apóstolo Paulo era mostrar, especificamente aos judeus, a diferença entre a antiga e a nova aliança comparando com o divórcio por repudia sem motivo.
  • Utilizar esse texto para condenar o divórcio em qualquer hipótese é ser mais duro do que Jesus. É obrigar a pessoa a conviver com o outro sem jamais poder divorciar-se, ainda que seja traída ou agredida continuamente.
  • Se o Novo Testamento condenasse alguém a esse tipo de jugo, não se faria superior em nada ao Antigo Testamento, já que a Lei mosaica, nesse sentido, seria mais humana, tolerante e justa.
  • Os judeus não tinham o casamento como indissolúvel. Eles conheciam as exceções. Jesus as interpretou de forma mais eficaz e restrita.

Abandono (I Co 7.15)

  • O abandono só é permitido por parte do incrédulo. O crente não pode abandonar o lar.O cônjuge crente, deve fazer o possível para ganhar o descrente para Jesus, conforme a recomendação de Pedro (I Pe 3.1-6).
  • O texto de Pedro ensina como uma esposa deve agir a fim de ganhar para Cristo o seu marido não salvo.
  • Ela deve ser submissa ao marido e reconhecer a sua liderança na família (ver Ef 5.22).
  • Ela deve conduzir-se de modo santo e respeitoso, com espírito manso e quieto (I Pe 3.2-4; ver I Tm 2.13,15).
  • O adjetivo “manso” descreve uma atitude despretensiosa que se manifesta numa submissão amável e na solicitude pelo próximo (Mt 5.5; II Co 10.1; Gl 5.23).
  • O adjetivo “quieto” refere-se à esposa não ser agitada e indelicada. Noutras palavras, Deus declara que a verdadeira beleza da mulher é questão de caráter, e não primeiramente de enfeites.
  • Os adornos berrantes, exagerados e dispendiosos são contrários ao espírito modesto que Deus requer da parte das mulheres cristãs (ver I Tm 2.9).
  • Ela deve esforçar-se para ganhar o marido para Cristo, mais pelo comportamento, do que por suas palavras (I Pe 3.3-4).
  • Na passagem da Epístola aos Coríntios, Paulo orienta às mulheres (que eram mais comumente abandonadas), que “não se apartem dos seus maridos”, mesmo que eles sejam descrentes. A exceção é se o marido descrente não quiser conviver com a esposa cristã, e resolver abandoná-la.
  • Nesse caso ela está livre, não mais sujeita à servidão (I Co. 7.10-15). Evidentemente todo esforço deve ser feito para que as partes vivam em paz, e que haja espaço para a reconciliação. O divórcio deve ser sempre a última saída.
  • Como o texto bíblico afirma que a parte vitimada “não fica sujeita à servidão”, infere-se que essa está livre para contrair novas núpcias, contanto que seja “no Senhor” (I Co. 7.39).

Violência Doméstica (Ml 2.16)

  •  Não existe nenhum texto na Bíblia que diz que devamos tolerar o abuso. Também não existe nenhum texto que diga que é uma atitude de submissão deixar que alguém abuse de si.
  • Ao contrário; no contexto do divórcio, no livro do profeta Malaquias, o Senhor diz repudiar o divórcio, assim como aqueles que se vestem de violência, injustiça, crueldade, prejudicando deliberadamente o próximo.
  • O texto de I Pe 3.7 diz que os maridos devem viver com suas mulheres com discernimento, considerando-a como vaso mais frágil, tratando-as com dignidade, porque somos herdeiros da mesma graça de salvação em Cristo. Se os maridos tratam suas esposas indignamente eles têm suas orações interrompidas.
  • De igual modo o texto de Colossenses 3.19 diz que os maridos devem amar suas esposas (ágape / altruísta) e não tratá-las furiosamente, com ira, com amargura.
  • A violência doméstica em todos os sentidos é uma transgressão dos ensinamentos de Jesus acerca do amor (Mt 22.37-39; I Jo 4.20-21).
  • A violência doméstica não se restringe aos maus tratos físicos. De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o assunto, os tipos mais comuns são a violência sexual (31,6%), seguida de maus tratos físicos (27,7%), negligência (24%) e abuso psicológico (15,8%).
  • Somente através da obediência e temor à Deus é que o agressor adquire condições mentais que o permite amar e respeitar o próximo e reconhecer que a pessoa viloentada é sua semelhante.
  • De acordo com o texto de João 10.10 há uma realidade maligna que precisa ser combatida na raiz ou a violência jamais cessará.
  • Não basta frequentar uma igreja; tem que se libertar da ação do maligno na mente, no espírito, nas emoções, no corpo físico, levando o homem a desejar a vontade de Deus em sua vida e para o seu casamento.
  • Muito embora, por uma questão de segurança e integridade a separação temporária ou até mesmo o divórcio sejam aceitáveis, não há um texto bíblico que fundamente o novo casamento para estes casos.

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Conclusão

  • O projeto de Deus é a felicidade da família (Sl 128.1-4). Deus criou a família para provar da verdadeira felicidade. E esta somente pode ser vivida se estiver no centro de sua vontade.
  • Como servos de Deus precisamos aprender os parâmetros do autor do casamento para ensinarmos o caminho certo àqueles que buscam.
  • E em nosso tempo, no qual a instituição familiar está em crise pela ausência de Deus na grande parte da sociedade, o trabalho de restauração das famílias por meio da igreja é muito relevante. Como dizem as Escrituras:

Feliz é quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!

Bibliografia

  • A maior parte deste estudo tem origem na obra do Pr.Hernandes Lopes, citada abaixo.
  • LOPES, Hernandes  Dias. Casamento, Divórcio e Novo Casamento. Editora Hagnos.
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