Mordomia Cristã V

A Mordomia dos Recursos Materiais II (Dívidas)

(Provérbios 22.7)

O que são dívidas?

Em nossa sociedade, dívida é um coeficiente indispensável para a subsistência do sistema capitalista. O mercantilismo baseava seu conceito de riqueza nos bens produzidos e comercializados. O conceito capitalista é o acúmulo de lucros (a mais valia).

De modo simples, para que alguém tenha lucro é necessário que outros percam. Nunca todos os lados saem lucrando. Consequentemente, para que as grandes corporações tenham lucros, alguém tem que sair perdendo. Podemos observar pelo sistema produtivo:

  • As grandes corporações exploram os países que produzem matérias primas pagando quase nada por elas (ferro, alumínio, madeira, água, etc)
  • Elas pagam cada vez menos aos seus trabalhadores, explorando sua mão de obra;
  • Diminuem o preço de custo, pagando cada vez menos pelos serviços que usufrui, ameaçando procurar outro concorrente;
  • Vende seus produtos em escala crescente (por meio do marketing voraz da necessidade induzida) e cada vez mais caro, aos seus consumidores, aumentando suas margens de lucro progressivamente.

Para o consumidor continuar ativo, comprando acima do que pode, ele precisa de linhas de crédito, uma maneira de garantir um consumo futuro e de aumentar ainda mais os lucros por meio dos juros.

Por esta visão, assumir uma grande dívida, no limite da renda, é apostar que continuaremos a ter o mesmo padrão financeiro de hoje. Porém a Bíblia nos adverte que nós não controlamos o amanhã (Lc 12.25)

Neste sistema, todos estão endividados; consumidores, produtores, corporações e nações. Então a dívida é algo que está mais presente do que nunca.

Contudo estamos chegando ao ápice do endividamento, o que está levando o mundo a um colapso econômico (crises).

Como surgem as dívidas? (Lucas 12.15)

A dívida nasce na necessidade (ou desejo) de adquirir bens ou serviços, além do poder aquisitivo real (recursos líquidos em mãos / I Timóteo 6.9a).

Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço.

O termo rico no original (plouteo) significa ter muitas coisas, não necessariamente dinheiro acumulado no banco. A ênfase está na aquisição de muitos bens (a visão cultural de ser rico na época do texto bíblico não era a capitalista).

As dívidas também surgem por meio do despreparo (Provérbios 10.5)

O que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha.

O texto nos apresenta a relação direta entre a Mordomia do Tempo e a Mordomia dos Recursos Materiais. Na oportunidade (tempo/Kairós) de trabalho com remuneração acima dos gastos, produzindo um excedente, precisamos construir uma reserva para os dias de escassez. Nos dias da dificuldade, sem um preparo, podem surgir dívidas.

Podemos nos ajudar mutuamente para não afundarmos em dívidas, pois dias difíceis podem sobrevir a qualquer um, mas sem procuram tirar vantagens da dificuldade alheia, cobrando juros para se enriquecer. (Provérbios 19.17 / Êxodo 22.25).

Qual a consequência das dívidas? (I Timóteo 6.9-10 / Provérbios 22.7)

Consequências (I Timóteo 6.9-10).

Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

Cair em laço: O termo laço (paguis),significa ser preso pelo nariz, como os conquistadores faziam com os povos conquistados e escravizados. A dívida nos prende a vontade e os limites do credor (Provérbios 22.7)

Concupiscências loucas e nocivas: por causa do excesso de dívidas podemos ser levados a fazer o que em situações normais não gostaríamos de fazer.

Trás ruína: débito além da possibilidade de pagar pode trazer a perda de anos de esforço e trabalho para os credores.

Pode fazer a pessoa a desviar da fé: não no sentido de deixar a igreja, mas no sentido de corromper-se para continuar mantendo a ilusão do alto padrão de vida.

Traspassar a si com muitas dores: esse caminho trás mais perdas que benefícios, perdas tais que produzem muita dor, sofrimento e angústia de alma.

Como nos livrarmos das dívidas? (Mateus 6.12 / II Reis 4.1-7)

Primeira ação (reflexão no texto de Mateus 6.12)


Perdoa-nos as nossas dívidas,

assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores

Mais que apreciação, nós precisamos de perdão. Você já pensou que pode haver uma relação direta entre suas dívidas que nunca se acabam (ou pior, aumentando em alguns casos) com um histórico pessoal de não perdão em relação a dívidas morais ou financeiras que você não deseja perdoar?

Lembrar-se das ofensas sofridas, do empréstimo que nunca retornou, da ajuda não reconhecida, das más lembranças do passado, das discordâncias com cônjuge, pais, familiares, irmãos, amigos. O não perdão é um mau hábito e um pecado que produz consequências diretas de acordo com as palavras de Jesus!

Perdão é uma atitude de generosidade. Você deve pedir perdão a Deus se não tiver um histórico de generosidade. Perdoe as dívidas alheias e peça que o Senhor lhe perdoe as suas próprias, trazendo livramento destas, tanto no aspecto moral como no financeiro.

Segunda ação (reflexão no texto de II Reis 4.1-7)

Orar. No texto, uma viúva era ameaçada de perder seus filhos para os credores e apelou para a ajuda de Eliseu.

Ele instruiu a viúva a emprestar de seus vizinhos muitos jarros vazios. De modo geral, nós não conseguimos resolver e eliminar os problemas de todos. Normalmente o que podemos fazer é emprestar um jarro. Contudo é o suficiente, pois o milagre vem de Deus para que o Seu nome seja glorificado.

O Senhor multiplicou, de forma surpreendente, sua única posse, uma pequena porção de óleo e, como resultado, todos os jarros emprestados ficaram cheios. Ela vendeu o óleo e pagou suas dívidas para livrar os filhos. Não devemos desprezar o pouco que temos, pois este mínimo é a base material para a manifestação do milagre sobrenatural. Lembre-se dos cinco pães e dois peixes, dos anéis de Jó, da pequena nuvem como mão de homem nos dias de Elias.

Terceira ação (estratégias para eliminar dívidas financeiras / I Timóteo 6.6)

  •    Estabelecer um orçamento por escrito: nosso orçamento é aquilo que precisamos usufruir e o quanto podemos gastar. Escrever ajuda a não exceder com gastos desnecessários.
  •    Alistar todos os seus compromissos (o que deve);
  •    Liquidar as dívidas pequenas e as com maiores juros;
  •    Avaliar antes de aumentar o orçamento: evitar ficar no limite da renda;
  •    Não acumular dívida nova;
  •    Fazer uma reserva (poupança);
  •    Não exaurir todas as suas economias para liquidar as dívidas. Mantenha uma quantia razoável das economias para uma necessidade inesperada. Se aplicar todas as economias em favor de uma dívida e o inesperado ocorrer, e provável que seja forcado a incorrer em nova dívida para financiar a emergência;
  •    Ser satisfeito com o que tem: precisamos aprender a viver com contentamento dentro das possibilidades que o Senhor nos concede. Claro que podemos adquirir bens, porém sem excessos. Os bens materiais não são a alegria da vida, mas sim um complemento.
  •    Mudar o estilo de vida: estilo de vida é um hábito. O pensamento habitual é aquisição/felicidade. Podemos cultivar momentos felizes com menores gastos.
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Sobre renewedpresbyterian

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2 respostas para Mordomia Cristã V

  1. Justice disse:

    Wow! That’s a really neat answer!

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